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Deusas da discotecagem: no line-up da Coletiva MaddaM Music, as minas são atração confirmada

Em entrevista exclusiva para a Manguetown Revista, a DJ e idealizadora da MaddaM Music destaca como a Coletiva tem contornado os desafios de ser mulher e LGBTQIAPN+ e fazer discotecagem em Pernambuco

DJs Nadejda, Makeda, Afrobitch, Luana Consegue e Raquel Canêjo.
DJs Nadejda, Makeda, Afrobitch, Luana Consegue e Raquel Canêjo. Imagem: Reprodução/@porjady

É no atravessar o peito e o olhar de quem está criando que o universo chamado “música eletrônica” alcança a própria singularidade. A expressão “artístico-musical” toma forma quando DJs inovam com as mesmas ferramentas sonoras e digitais. 


Algo semelhante acontece em frequências pernambucanas. Repleta de sons originais que remixam o passado musical do Estado e vibram as ondas do presente, a cena eletrônica de Pernambuco ganha cada vez mais espaço.


Ainda assim, será que na cena de discotecagem pernambucana as mulheres são atração confirmada do Line Up? Em uma entrevista exclusiva para a Manguetown Revista, a produtora musical, DJ e uma das idealizadoras da Coletiva MaddaM Music (@maddammusic), Nadejda Maciel (@nadejdamusic), explica o papel que uma coletiva com foco no protagonismo feminino e LGBTQIAPN+ assume no Estado.


”Já que não conseguimos acessar, vou criar uma festa só pra gente”


Em um cenário de pouca valorização e abertura para as mixagens femininas, as minas ressignificam criando a própria festa. Marcado pelo compartilhamento de sets, pelo momento de ouvir a pesquisa e o produto sonoro uma das outras, o que Nadejda definiu como um “sabá das bruxonas” não demorou para se tornar a ferramenta que afasta o medo do eletrônico e dá segurança para as artistas se aproximarem dos negócios.

 

“A gente tem que se unir e fazer alguma coisa, porque senão a cena vai ser o que sempre foi. E o que sempre foi não é espaço pra gente”, revelou Nadejda.

Foi essa inquietação latente que a levou a pensar um projeto para dar visibilidade às potências femininas e LGBTQIAPN+ da música eletrônica. Oficializou-se a partir disso, em 2016, a Coletiva MaddaM Music. Rapidamente o sentimento de Nadejda se mostrou como sendo de várias outras que ajudaram a consolidar a base da coletiva. 


Junto à Dayra Batista, conhecida no palco como DJ Makeda, que acompanha desde o início quando não tinha a música como principal atuação, Nadejda e a MaddaM seguem ativas pelo fortalecimento de um espaço com oportunidades para as multiartistas exercerem profissional e dignamente a própria arte. Outras minas da cena pernambucana e de outros Estados também participam.


MaddaM Music e o laboratório de conexões


Mais que um selo de música eletrônica, o comprometimento da MaddaM Music está em aproximar as minas do palco. Desde 2017, com oficinas anuais, a Coletiva reúne diversos nomes da discotecagem e profissionais da área da música e das demais artes para transformar a MaddaM em laboratório. Nessa mobilização, ampliam os olhares das minas que passam a enxergar o universo da discotecagem como uma possibilidade no próprio horizonte de possibilidades.


Com as oficinas do “MaddaM Music Lab” como porta de entrada para a Coletiva e como partida inicial, diversas artistas se viram capazes de alçar voo. Libra (@idlibra), Paulete Lindacelva (@pauletelindacelva), Cherolainne (@cherolainne), são apenas alguns dos grandes nomes do Estado lembrados por Nadejda que bateram na frequência do que a DJ caracterizou como o “grande coração da MaddaM” no passado e hoje têm um nome artístico consolidado no Estado.


DJ Lilith em apresentação no MaddaM Music Lab
DJ Lilith em apresentação no MaddaM Music Lab Imagem: Divulgação/Site MaddaM Music
Edição do MaddaM Music Lab                                      Imagem: Pavoa/Divulgação
Edição do MaddaM Music Lab Imagem: Pavoa/Divulgação

Impulsionadas pelos saberes que rompem o calendário das oficinas e movidas pela força da coletividade, as minas tocadas pela MaddaM contornam as limitações do sistema para mostrar toda a grandiosidade de um potencial lapidado. Com a atitude de verdadeiras deusas da música eletrônica, moldam e constroem sonoridades de maneira muito particular.


“Construir a MaddaM para quem quiser se juntar a nós”


Movidas pelo princípio de que não há espaço para a competitividade dentro da MaddaM e pela compreensão de que o sucesso de uma mulher é o sucesso de todes, incentivam as individualidades como forma de fortalecer a coletividade. E o desejo comum? Que as artistas da MaddaM ganhem o mundo e a Coletiva sejam uma espécie de refletor na carreira artística individual e nunca o ponto final.


Independente da área de atuação ou dos trabalhos paralelos à discotecagem, trabalham pela consolidação da MaddaM  como fonte de autoestima e como a ponte que liga as minas à cena musical. 


“[Pelas participantes] acreditar[em] em lutas que desmascaram e combatem a a discriminação, o exclusivismo e qualquer forma de preconceito ou discurso que crie hierarquias entre pessoas”, afirmou a DJ Makeda (@djmakedamusic) em uma conversa para a Manguetown Revista.

Enquanto partilham os mesmos equipamentos, conhecimentos e contratos, tornam-se o produto que entrega a experiência e rompem os limites da estrutura patriarcal que estimula a rivalidade entre figuras femininas. Em meio a tudo isso, ainda entregam a imersão coletiva capaz de superar o que o coração e a energia do público pedem para mostrar. 


Para a Manguetown Revista, Makeda falou por si e por tantos corpos femininos, negros, trans, travestis e não-bináries. Como detalhou, esses corpos “têm [na cena artística] um meio de sobreviver e de lutar pelo seu lugar em uma cena que às vezes é tão inóspita para pessoas como nós”, e permanecem insistindo na cena por terem a música como algo vital. 


“Ser DJ não é só apertar o play”


Como, para Nadejda, “ser DJ não é só apertar o play”, toda a MaddaM segue com os “10% de inspiração e os outros 90% de transpiração”, que exigem os trabalhos artísticos. Isso tudo para ir na contramão de falsas representatividades que ofuscam o protagonismo feminino, para capacitar muitas outras minas, além do objetivo de pensar outras formas de ocupar a cena musical eletrônica.


Seja com a experiência sonora, visual e performática das edições do projeto Mèdusa, em que artistas se apresentam simultaneamente, com a ocupação de espaços públicos por meio de editais, de fato, as ondas sonoras da MaddaM Music estão ressoando em cada vez mais ouvidos.



Edição Mèdusa

Imagens: @porjady


A MaddaM tem elevado a música eletrônica produzida pelas minas e manas para espaços que vão além do palco em frente ao dancefloor. Um exemplo disso está na produção do programa de rádio Techtrônica (@techtronicanoar),  que soma 41 episódios , transmitidos entre 2020 e 2021 pela Frei Caneca FM.


De forma virtual, a Coletiva tem um site. O maddammusic.com está disponível para acesso e assume o papel de portfólio digital com todas as informações sobre a Coletiva e as artistas envolvidas. 



Para além de um palco no qual as minas e as manas tenham orgulho de tocar, a rede de apoio sustentada pela MaddaM segue firme no compromisso de inspirar futuras gerações de mulheres a dominarem não só o palco, mas a própria indústria da discotecagem.


Em quase nove anos de MaddaM Music e apesar das barreiras financeiras e, particularmente, dos desafios que envolvem ser uma produção de mulheres para todes, tudo o que a Coletiva se propõe a fazer pela cena de discotecagem feminina permanece repleta de paixão e mobilização. 


Fique por dentro das atualizações da Coletiva sobre eventos e novas produções sonoras seguindo a MaddaM Music no Instagram: @maddammusic



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