Povo Xukuru do Ororubá sedia 1° Festival de Cinema Indígena do Nordeste
- Isabel Bahé
- há 2 dias
- 2 min de leitura
Edição aconteceu no último fim de semana na Aldeia Pedra D’Água, Agreste de Pernambuco

Entre os dias 28 e 30 de março, aconteceu a primeira edição do Festival de Cinema Indígena do Nordeste, na cidade de Pesqueira, no Agreste de Pernambuco. O evento teve sede na Aldeia Pedra D’Água, no território indígena Xukuru do Ororubá, com realização Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) em parceria com a produtora Ororubá Filmes.
A primeira edição do festival teve como lema “Nossa Comunicação é Ancestral”, com o objetivo de promover um debate sobre a importância da produção audiovisual na preservação da memória e luta dos povos originários. Além da mostra, o evento foi marcado pela fundação da Rede Audiovisual do Nordeste Indígena, um projeto que busca impulsionar a autonomia e a produção audiovisual indígena.
Com participação de realizadores, cineastas, comunicadores, aliados e lideranças indígenas, o Festival de Cinema Indígena contou com uma programação de curtas e longas metragens, oficinas de fotografia, filmagens com drone e celular, além de apresentações musicais de artistas como Alysson Xukuru, Samba de Coco Origem do Ororubá, Banda de Pífano Jetuns e Jetuins de Mandar e o Samba de Coco Marakás do Ororubá.
Entre os filmes presentes na mostra do festival, tiveram destaques produções “Retomada Étnica” (2023, com direção de Ricardo Martensen), “Donas da Terra” (curta-metragem dirigido por Ana Marinho), “Ybi Katu” (curta realizado pela comunidade indígena Potiguara), “Encantarias do Sertão” (dirigido por Seté Payayá), além de uma sessão especial do filme “Capitão Potiguara”.
Ororubá Filmes: um projeto de contracolonização
A produtora Ororubá Filmes nasceu no ano de 2008 como uma iniciativa que buscava apresentar ao povo Xukuru Ororubá a produção audiovisual como ferramenta de luta contra um discurso midiático hegemônico, que raramente exibe a realidade dos povos originários. Assim, a produtora surge com o lema “Utilizando o que tem de moderno, para fortalecer o que tem de ancestral”.
Começando com oficinas de fotografia e produção para jovens do território, o projeto cresceu e adentrou as escolas, transmitindo o conteúdo produzido na própria aldeia para seus jovens habitantes. Todas as obras estão disponíveis no canal da Ororubá Filmes no YouTube, e os integrantes da produtora formaram um exemplo de etnocomunicação, passando seu conhecimento para outras aldeias por meio de oficinas e fortalecendo o cinema indígena em comunidade.
“A imagem é linguagem expressada pela vivência e pela memória, por meio das câmeras e do áudio expressamos o sentimento de pertença identitária e a atuação Xukuru do Ororubá frente aos seus processos de Luta, conquista e manutenção dos Direitos Constitucionais”, afirmam em comunicado oficial de apresentação, no site da produtora.
Além de ocupar os territórios das redes sociais e audiovisuais, a Ororubá Filmes também produz desde 2020 o “Ororubá Cast - Um Sinal de Fumaça do Povo Xukuru”, disponível no Spotify. O podcast é definido pelos integrantes como uma “ferramenta para decolonizar as mentes a partir do nosso Projeto de Vida”, contando a história do povo Xukuru do Ororubá e integrando a produção de filmes com o conteúdo sonoro.
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